Hospital São Camilo debate desafios das crianças em casa durante a pandemia

Em live, médicos compartilharam experiência e esclareceram dúvidas dos internautas sobre o assunto

De uma hora para outra, a Covid-19 transformou nossas vidas. Aulas on-line e o home office passaram a fazer parte da rotina. Com mais tempo em casa novos desafios surgiram, e mães e pais têm a oportunidade de conhecer profundamente o comportamento dos filhos, qualidades ou fragilidades.

No último dia 20/10, médicos da rede de Hospitais São Camilo debateram sobre como lidar com o momento. Participaram o oftalmologista Dr. Ronaldo Boaventura Barcellos, a pediatra Dra. Vivian Pereira de Oliveira, e as psiquiatras Dras. Nadège Herdy e Aline Sabino, mediadora da live. O vídeo do encontro pode ser conferido no Facebook do hospital.

Para a pediatra Vivian Pereira de Oliveira, o desafio imposto pela quarentena foi a relação entre pais e filhos. “O impacto é evidente, inclusive comprovado em estudos que apontam aumento da ansiedade nas crianças, agitação, falta de sono e apetite”, disse.

O diálogo transparente com as crianças é importante, e cada faixa etária tem a sua peculiaridade. “O mais importante é saber que as manifestações decorrem do estado emocional da família, seja para crianças de 0 a 3 anos, que têm percepção maior dos pais e que são seus espelhos, e dos maiores que perderam a rotina das escolas e socialização com os amigos”, explicou Vivian.

Mais aulas online, mais estresse

A psiquiatra Dra. Nadège Herdy explicou que a mudança brusca da rotina com as aulas online aumenta o estresse das crianças, já privadas do convívio social. “É importante ter em mente que a situação não será perfeita, que as perdas ocorrerão, mas é preciso manter uma relação saudável”, orientou.

Criar intervalos entre as aulas online e atividades ao ar livre, principalmente agora com a flexibilização da quarentena, é fundamental. Se a depressão infantil entrar na rotina, atenção para a mudança de comportamento.

“Quadros de depressão nas crianças aparecem de forma atípica. Elas param de brincar, ficam mais caladas e algumas têm atraso na fala. Preste atenção ao padrão que a criança tinha antes da pandemia e agora”, orientou Nadège.

Mais telas, mais problemas oftalmológicos

O oftalmologista Dr. Ronaldo Boaventura Barcellos detalhou os efeitos da quarentena para a saúde dos olhos. “Quanto mais tempo de exposição nas telas dos tabletes e computadores, maior a chance do surgimento dos problemas”, disse.

Há relatos de crianças com dores de cabeça, nos olhos e dificuldades na atenção. “Elas devem ter pequenos intervalos, sem telas, entre uma aula e outra, para evitar os problemas. A exposição ao sol também é importante para a saúde”, enfatizou.

Por fim, os quatro médicos frisaram a importância da manutenção de uma rotina saudável, o tempo para atividades ao ar livre e o acolhimento das crianças. Por mais difícil que seja, é preciso encontrar pontos positivos para vencermos essa situação.

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