O CEO, o chef e a estratégia

Na hora de se pensar em comunicação interna, ligar os pontos é crucial

Por Felipe Esrenko – Planejamento e Marketing Wide Digital

 

Felipe Esrenko (Foto: Acervo pessoal)

Alguns cases e figuras do mercado não envelhecem, por mais que se fale sobre eles. Em 1997, Steve Jobs retornava à Apple em uma virada digna de filme. Na época, a empresa amargava uma possível falência, com centenas de produtos estocados em prateleiras. A primeira decisão de Jobs? Não foi um computador mais bonito ou alguma campanha publicitária disruptiva, mas sim reduzir produtos. Jobs reduziu o catálogo imenso da empresa a quatro produtos: para usuários domésticos e profissionais, notebook e desktop. Quatro quadrantes desenhados na parede de uma sala de reunião, uma estratégia que garantiria novo fôlego à empresa. Estratégia!

Anthony Bourdain, chef de cozinha conhecido pela sua personalidade marcante e pelos programas televisivos, disse certa vez que bons pratos não significam nada sem cabeças pensantes que saibam planejar, combinar e entregar grandes refeições. Costumava esnobar refeições que afirmava “esbanjar detalhes, mas esquecer planejamento”. Estratégia!

Em comum, tanto o CEO da Apple quanto o chef souberam traduzir uma ideia que não pode sair do radar de qualquer plano de comunicação interna: estratégia é a essência que dá vida e resultados para os canais nos quais será desdobrada. As aplicações visuais, os aparatos tecnológicos e as grandes ideias são as experiências que fazem a comunicação deslumbrar e acontecer, mas não podem ser empregadas sem que se leve em conta o propósito e a estratégia que conduzem cada escolha, fazendo cada aplicação valer a pena.

Isso foi verdade em 97 e é verdade para nós, que estamos assistindo à história diante de nossos olhos. A inovação vem lado a lado com a mudança. Algumas pessoas voltam aos escritórios, outras trabalham de casa. O rádio vira podcast, que vira canal de comunicação interna. Tudo isso enquanto TV corporativa, redes sociais e e-mail marketing continuam ocupando lugar de destaque nos canais de comunicação corporativa escolhidos pelas empresas. Some à lista novas possibilidades, como um game on-line, um bot de apoio à comunicação, ou quem sabe uma estratégia em um ambiente de rotinas de trabalho remoto como o Teams da Microsoft. A novidade não é, afinal, qual canal usar, mas sim como utilizá-los em conjunto e com propósito.

Os planos de comunicação que temos entregado confirmam o mérito de uma estratégia bem elaborada. Aproveitando a vocação de cada canal, conectamos os pontos e criamos verdadeiras conversas com os colaboradores, focando sempre nos comportamentos e nas necessidades que são esperados pelas empresas. Quer ver resultados de verdade? Comece pensando na experiência do usuário, como ele se relaciona com os canais com os quais interage, em como cada canal transmite a ele a mensagem. Calendários, réguas de conteúdo transmídia e muito passo-a-passo são companhias fundamentais nessa jornada. As aplicações vêm só depois, quando a base já foi construída.

Afinal, a comunicação é, sim, feita para encantar. Mas qual obra de arte não precisa de um bom script para sair do papel?

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