Outubro Rosa: a importância do apoio familiar

Ter uma base sólida e poder contar com apoio é essencial ao tratamento
Andrea Neres (Acervo pessoal)

A família é um pilar importante para qualquer ser humano, mas torna-se ainda mais valiosa em situações difíceis, como quando algum familiar enfrenta o câncer de mama. Ter uma base sólida e poder contar com apoio é essencial ao tratamento.

É o que enfrenta a auxiliar administrativa Andrea Neres, de 36 anos. Neste ano ela passou por mais uma etapa dessa jornada, e realizou uma cirurgia para retirada de um nódulo. Ao receber o diagnóstico, o susto, claro, é o primeiro sentimento. “Tem que se apegar a Deus e não perder a esperança. O tratamento não é fácil, a vida de um paciente oncológico não é simples. Você tem que ter força e cuidar bem da cabeça, pois é ela que comanda tudo. Se você desanimar não terá forças para terminar o tratamento”, diz.

Mas foi ao lado do marido, o torneiro mecânico Valdir Neres, de 37 anos, que ela encontrou ainda mais forças. Ela viu nele um apoiador incansável nessa luta. Foi Valdir quem notou mudanças físicas no seio da esposa e, a partir disso, eles foram buscar ajuda. “Na verdade, a força não veio de mim, veio dela. Ela que sustentou tudo isso até agora. Eu vendo essa força que ela tem, acabei tendo também”, explica. O casal é pai de Juan, de 17 anos.

Andrea e Valdir antes do diagnóstico (Acervo pessoal)

Andrea lembra dos primeiros sinais da queda de cabelo, ocasionada pela quimioterapia, e que faz parte do tratamento. “Quando eu fiz a primeira quimioterapia, o médico disse que com 14 dias meu cabelo começaria a cair. Eu puxava e saia aqueles tufões de cabelo. Demorei uma semana para ir ao cabelereiro e pedir para raspar’’, lembra Andrea, que hoje passa por tratamento de radioterapia.

Valdir, no entanto, tem uma lembrança carinhosa desse momento. “Teve uma tarde que eu cheguei em casa e ela tinha raspado a cabeça inteira, colocado uma roupa bonita, feito uma maquiagem e estava muito alegre. Esse dia me marcou”, relembra.

São relatos como o de Andrea e Valdir que mostram que é possível, mesmo em um momento marcante como uma doença, sempre seguir em frente.

Redescobrindo a autoimagem

Priz Azeredo (Acervo pessoal)

Com as consequências do tratamento, é natural a insegurança do convívio em sociedade influenciar na baixa autoestima de pacientes, e para isso existem projetos sociais que ajudam no redescobrimento da autoimagem. É o caso do projeto pioneiro Oncoimagem Brasil, da voluntária Priz Azeredo.

Com expertise em análise de imagem há 20 anos, Priz tem o objetivo de melhorar a qualidade de vida dos pacientes oncológicos. “Meu coração é um coração doador. Eu vim de uma família missionária, então querer ajudar as pessoas é algo muito natural”, afirma a maquiadora.

O Oncoimagem Brasil começou há 7 anos, no Espírito Santo, e já foram mais de 1.400 pessoas atendidas por todo o Brasil. No projeto, Priz ajuda a devolver as características da personalidade das pacientes através da autoimagem. São feitas doações de moldes de sobrancelhas, perucas e lenços específicos que ressaltam a singularidade de cada pessoa, além do curso de automaquiagem.

Priz ressalta que a missão da Oncoimagem Brasil é ajudar o paciente a alcançar o autoconhecimento, criando equilíbrio através da imagem pessoal, evitando conflito existencial. “A nossa luta é contra a tristeza”, afirma Priz Azeredo. Uma equipe multidisciplinar e a integração em projetos sociais específicos para quem está passando por esta fase são essenciais na recuperação e fortalecimento da segura emocional.

Por fim, é natural que sentimentos diversos surjam nos primeiros contatos com a doença, mas é necessário saber que, independentemente do caminho que será trilhado, não estamos sozinhas. Cuidar da saúde mental e saber com quem contar é fundamental para que passemos por qualquer situação, por pior que ela pareça ser, com a calma e a confiança necessárias.

 

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